O roteiro como a instituição entrega
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DISCIPLINA: História e Historiografia do Brasil República TEMA: História Oral e a inflação dos anos 1980 no Brasil OBJETIVO: Produzir um roteiro e realizar uma entrevista com uma pessoa sobre como a alta inflação dos anos 1980 foi vivenciada na localidade da mesma.
COMPETÊNCIA:
- Compreender os contextos internacional e brasileiro que geraram um cenário econômico instável no Brasil dos anos 1980, a conjuntura econômica brasileira e a hiperinflação da década de 1980
- Analisar de que maneira as condições econômicas afetaram o cotidiano da população brasileira
- Conhecer a metodologia da História Oral e as especificidades das fontes orais
- Examinar as narrativas dos colaboradores acerca das suas vivências sobre esse período, divulgando essas narrativas e a análise por meio de roteiro descritivo
EXPERIMENTE E PRODUZA:
Você já foi ao mercado e se assustou com o preço de um produto que na semana ou no mês anterior custava muito menos? Provavelmente, isso já aconteceu com você ou com algum conhecido. Há inúmeras variáveis envolvidas para explicar esse aumento, mas uma delas pode ser a inflação. Nos anos 1980 essa palavra ficou tão famosa (e assustava tanta gente) que ganhou um símbolo próprio: o dragão. A figura mitológica do dragão representava a hiperinflação daquele contexto e várias metáforas eram utilizadas, como por exemplo, “o dragão que queimava o poder de compra”. Os meios de comunicação tiveram um papel importante na divulgação dessa representação:
Figura 1: Capa da revista Veja, 13 de maio de 1987
Essa popularização não era por acaso e se relacionava diretamente à conjuntura econômica brasileira da década de 1980. De acordo com Prado e Leopoldi:
O Brasil, como outras economias latino-americanas, enfrentou na década de 1980 uma crise econômica que tinha dois componentes interconectados:
uma grave crise cambial, devido à sua incapacidade de financiar seu déficit em transações correntes e pagar adequadamente os serviços da dívida externa; e uma elevada taxa de inflação, pressionada por desequilíbrios fiscais do governo e pela indexação generalizada da economia. Essa crise, construída na década anterior, foi um dos fatores fundamentais para explicar a perda de sustentabilidade política do regime militar.^1 Ou seja, a hiperinflação era um dos elementos da instabilidade econômica enfrentada pelo Brasil e que foi resultado da conjuntura internacional, sobretudo, as crises do petróleo e o aumento dos juros dos EUA, e da política econômica interna estabelecida pelos governos militares durante a ditadura. É justamente o caráter econômico que deu a alcunha de década perdida aos anos 1980. É preciso relativizar essa noção, principalmente, porque esse período foi marcado por uma intensa efervescência social e política, relacionada diretamente ao processo de redemocratização do país após 21 anos de um regime autoritário. Mas a economia realmente estava “perdida” nesses anos.
De toda forma, é fundamental para os pesquisadores compreenderem que tais processos econômicos não são abstratos, pelo contrário, afetam diretamente o cotidiano das pessoas ditas comuns. Conhecer e compreender essas vivências também é fundamental para o entendimento daquela conjuntura histórica: de que forma as pessoas enfrentavam a crise econômica? Como organizavam seus salários para pagar as contas? Quais eram as ações das donas de casa quando iam ao mercado? Quais estratégias de organização os trabalhadores desenvolveram? Qual a percepção que as pessoas tinham dos planos econômicos lançados para enfrentar as crises? O que sentiam nessa conjuntura?
Mas como podemos conseguir tais respostas? A História Oral é uma metodologia bastante adequada para isso, pois possibilita – mais do que saber dados factuais – conhecer as percepções, os sentimentos e o que pensavam as pessoas. A grande riqueza das fontes orais é justamente a subjetividade do colaborador. As fontes orais podem nos dizer não só o que aconteceu, mas o que as pessoas gostariam que tivesse acontecido, o que acreditavam que estava acontecendo e o que pensavam sobre o que aconteceu. Portanto, para compreender como as pessoas comuns vivenciaram a hiperinflação dos anos 1980 a História Oral se faz bastante relevante.
1 PRADO, L. C. D.; LEOPOLDI, M. A. O fim do desenvolvimentismo: o governo Sarney e a transição do modelo econômico brasileiro. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia (orgs.). O tempo da Nova República:
da transição democrática à crise política de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018, p. 78.
Além disso, é importante após as entrevistas realizar duas ações: 1) refletir sobre as narrativas que os colaboradores construíram; 2) publicizar o máximo possível essas vivências, dando visibilidade a tais sujeitos históricos. É aqui que a produção do seu roteiro se torna fundamental, pois consegue realizar ambas as atividades.
Com base nas informações dadas e nas leituras indicadas em MATERIAIS DE APOIO, você deve realizar uma entrevista de História Oral com uma pessoa da sua localidade, a respeito da vivência do fenômeno da hiperinflação dos anos 1980, e depois transformar essa entrevista em um roteiro reflexivo, seguindo esse passo-a-passo:
Passo 01:
Pesquisar sobre a temática trabalhada a respeito da hiperinflação dos anos 1980 no Brasil e identificar possíveis entrevistados que vivenciaram o período (alguém de sua família, de seu bairro, comunidade, de um comércio próximo, do seu trabalho, etc.). Escolher a pessoa que será entrevistada e convidá-la, explicando a proposta do trabalho e se ela concorda em participar.
Passo 02:
A partir da perspectiva da História Oral e sua metodologia, lendo os Materiais de Apoio dados aqui neste arquivo de Orientações da atividade, elabore um roteiro para sua entrevista baseado na temática da hiperinflação dos anos 1980 no Brasil. Utilize para a elaboração do roteiro o arquivo template em Word fornecido para a atividade (disponibilizado junto aos outros materiais da atividade na disciplina no AVA).
Passo 3:
Realizar a entrevista com o/a colaborador/a escolhido/a, seguindo as questões e itens colocados em seu roteiro. Você pode gravar a entrevista pelo celular ou outro meio de gravação para registro das respostas do entrevistado.
Passo 04:
Voltar para o seu arquivo template do roteiro em Word. Com base na metodologia da História Oral, preencher os itens solicitados no template e transcrever as contribuições mais relevantes do/a colaborador/a entrevistado em local próprio do seu roteiro elaborado no arquivo template.
Passo 5: Ao final do trabalho e da transcrição dos principais elementos da narrativa do entrevistado, em local próprio no template, escrever um parágrafo conclusivo com reflexões e análises sobre a narrativa do colaborador/a e o contexto histórico da hiperinflação nos anos 1980.
Postar o arquivo template final pronto em Word no link Trabalhos da disciplina no AVA.
MATERIAIS DE APOIO:
Caso o estudante e/ou grupo desejar poderá ampliar a compreensão teórica e prática do tema a partir das seguintes indicações:
Portelli, A., Janine Ribeiro, T. M. T., & Ribeiro Fenelón, R. T. D. (2012). O QUE FAZ A HISTÓRIA ORAL DIFERENTE. Projeto História : Revista Do Programa De Estudos Pós-
| Graduados | De | História, 14. | Disponível | em: |
|---|
| as | páginas | 110 | a | 117 | (formato | epub: |
|---|
Livro disponível na Biblioteca Virtual.
ZAPALA STEGLE, Thaís. Vida, Trabalho e Resistência Operária em Tempos de Hiperinflação. Operários em tempos de hiperinflação: vida, trabalho e resistência em Fortaleza/CE (1985-1989). Dissertação de Mestrado. São Paulo: Universidade de São Paulo (USP), 2019, p. 55-96. ATENÇÃO: ler somente o capítulo 2.
Disponível em: https://cochicho.org/como-um-depoimento-vira-historia/ Sobre perguntar e ouvir. Cochicho. Disponível em: https://cochicho.org/sobre- perguntar-e-ouvir/
NO QUE CONSISTE A ATIVIDADE PRÁTICA LOCORRREGIONAL?
A atividade prática locorregional é uma metodologia de pesquisa e prática, considerando o macro e o micro territorial para o desenvolvimento da aprendizagem do estudante e da comunidade em seu entorno. A referida atividade apropria- se de diferentes instrumentos de avaliação na perspectiva de competências, com etapas soft e hard skills. Com a criação de uma cultura maker (faça você mesmo), ou seja, tenha atitude, o estudante é colocado como protagonista de sua transformação individual e social.
O QUE COMPREENDEMOS POR COMPETÊNCIA?
Incorporação permanente de práticas a partir do conceito de competências. Conforme consta no Glossário INEP: Uma competência caracteriza-se por selecionar, organizar e mobilizar, na ação, diferentes recursos para enfrentamento de uma situação-problema específica.
Para concretizar o conceito de competências, demonstramos a seguir o acróstico C.H.A.V.E e sua relação com os Quatro
Pilares da Educação:
| C = CONHECIMENTO | Compreender a ciência/epistemologia a partir de | Aprender a aprender |
|---|
diferentes pesquisadores e tempos históricos.
| H = HABILIDADE | Aplicar o conhecimento produzido em seu contexto | Aprender a fazer |
|---|---|---|
| individual, social e profissional. | ||
| A = ATITUDE | Protagonizar ações. | Aprender a ser |
| V = VALORES | Relembrar e refazer os valores humanos que | Aprender a ser e Aprender a |
orientam uma vida em sociedade, amparados em: conviver Respeito, Empatia, Solidariedade, Cordialidade, Educação, Justiça, Honestidade, Humildade e Responsabilidade
| E = EMOÇÕES | Responsabilizar com autogestão, amabilidade, | Aprender a ser e Aprender a |
|---|
engajamento com os outros, resiliência e abertura conviver para o novo.
QUAIS SÃO OS FUNDAMENTOS DA ATIVIDADE PRÁTICA LOCORREGIONAL?
- Competências essenciais:
1.1 Comunicação na língua materna;
1.2 Comunicação em língua estrangeira;
1.3 Competência matemática e competências básicas em ciências e tecnologia;
1.4 Competência digital;
1.5 Aprender a aprender;
1.6 Competências sociais e cívicas;
1.7 Espírito de iniciativa e empresarial;
1.8 Sensibilidade e expressão cultural.
- Engajamento de atividades para o desenvolvimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS);
- Inclusão de soft e hard skills;
- Conjugar epistemologia e prática.
ESPERAMOS QUE O ESTUDANTE CONSIGA COMPREENDER:
OS FATOS: identificar “situações-problema” ocorridas em diferentes cenários que geram uma odisseia de dados, podendo ser analisados e interpretados a partir de múltiplos olhares.
AS OPORTUNIDADES: realizar o movimento AÇÃO – REFLEXÃO – AÇÃO (prática reflexiva), tecendo relações entre a região em que vive (micro) e o global (macro).
QUAIS FUNDAMENTOS: aplicar práticas em diferentes realidades a partir do estudo da teoria.
E O APRENDIZADO: produzir diferentes produtos que retratem sua aprendizagem.
EM QUAIS DISCIPLINAS ACONTECEM A ATIVIDADE PRÁTICA LOCORREGIONAL?
História e historiografia da antiguidade oriental Arqueologia História e historiografia medieval oriental Recursos audiovisuais em história História e historiografia da escravidão História, política, economia e cultura do século xx História, política, economia e cultura no século xix História e historiografia do brasil república Questão indígena no brasil: uma perspectiva História e historiografia do brasil colonial histórica História e historiografia da américa contemporânea Relações entre história e sociologia
A ATIVIDADE PRÁTICA LOCORREGIONAL FAZ PARTE DO SISTEMA DE AVALIAÇÃO? QUANTO REPRESENTA
NA MÉDIA?
Sim, faz parte do sistema de avaliação e corresponde 40% da média. Cada atividade prática possui especificidade, tanto na parte teórica, prática e apresentação. Preste atenção nas instruções da disciplina.
- Individual ou em grupo de até 4 integrantes;
- Para formar grupos, os alunos devem ser do mesmo polo e da mesma disciplina, indiferente da oferta e do curso;
- No caso de grupo, apenas um dos alunos realiza a postagem do trabalho PRODUÇÃO e adiciona o número do RU dos colegas;
- O período de realização inicia na 2ª semana de aula e finaliza na última semana de provas regulares da fase;
- A atividade prática locorregional é disciplinar e leva em conta os conhecimentos adquiridos na disciplina;
- A produção deve obrigatoriamente ser postada no AVA.
Sobre este texto
Transcrição do roteiro entregue pela instituição, com a estrutura preservada. Nenhum dado de professor, aluno ou contato aparece aqui — foram removidos antes da publicação. O texto está no ar para que você saiba o que a atividade pede antes de começar; ele não contém resolução.
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